Imagine sentir uma dor que começa nas costas, passa pelo flanco e vai até a virilha — uma dor que muitos descrevem como uma das piores que já sentiram na vida. A cólica renal, causada pela movimentação de um cálculo dentro do trato urinário, é exatamente isso. Se você ou alguém da sua família já passou por isso, sabe bem o que é. Se nunca passou, precisa saber que o Nordeste brasileiro, incluindo o Ceará, está entre as regiões do país com maior prevalência de cálculos renais — e que o exame de imagem certo, no momento certo, faz toda a diferença entre um tratamento simples e uma complicação séria.
O que são os cálculos renais?
Os cálculos renais (ou litíase renal) são depósitos sólidos que se formam dentro dos rins a partir de minerais e sais presentes na urina. O tipo mais comum é o cálculo de oxalato de cálcio, mas existem também cálculos de ácido úrico, fosfato e estruvita (associados a infecções). Eles variam de tamanho: alguns têm poucos milímetros, outros crescem até centímetros. Os menores têm grande chance de ser eliminados espontaneamente com hidratação e analgesia; os maiores geralmente precisam de tratamento urológico específico.
Por que o Nordeste tem tantos casos?
O clima quente acelera a perda de líquidos pelo suor, concentrando a urina e favorecendo a cristalização dos minerais. Somado a uma tendência de ingestão de água abaixo do ideal em boa parte da população nordestina, o resultado é uma incidência de litíase renal acima da média nacional. Estudos brasileiros colocam o Nordeste entre as regiões de maior prevalência da doença, e Fortaleza e Maracanaú seguem essa estatística. Nos períodos mais quentes do ano, os atendimentos por cólica renal aumentam em todas as unidades de pronto-atendimento da região.
Quais são os sintomas?
A pedra no rim pode se manifestar de formas diferentes:
- Dor intensa em cólica no flanco, que irradia para a virilha ou a região genital
- Dor que vai e vem, em ondas, sem posição que alivie de vez
- Náuseas e vômitos associados à dor
- Sangue na urina (hematúria), visível ou detectado em exame laboratorial
- Dificuldade ou ardência ao urinar
- Vontade frequente de urinar em pequenas quantidades
- Febre e calafrios — sinal de alerta que indica possível infecção e exige avaliação urgente
Muita gente, porém, descobre a pedra por acaso, em um ultrassom de rotina, sem ter sentido sintoma algum. Por isso, o diagnóstico por imagem é tão importante: ele revela o que você não sente.
Ultrassom ou tomografia: qual exame fazer?
Essa é a dúvida mais comum. A resposta depende do contexto clínico, e o médico é quem deve indicar o exame adequado. Mas vale entender as características de cada um.
Ultrassonografia de vias urinárias
É o exame de primeira escolha na investigação inicial e no acompanhamento de cálculos já conhecidos. Seguro (sem radiação), amplamente disponível e de baixo custo, identifica cálculos nos rins, detecta hidronefrose (dilatação renal causada pela obstrução) e avalia o tamanho e a estrutura dos rins. A limitação é que cálculos pequenos localizados nos ureteres (os tubos que conectam rim e bexiga) nem sempre são visíveis com nitidez. Mesmo assim, quando associado a uma radiografia simples de abdome, o conjunto consegue diagnosticar corretamente a grande maioria dos casos.
Tomografia computadorizada de abdome e pelve sem contraste
É o padrão-ouro no diagnóstico da litíase urinária. Com sensibilidade de até 96% e especificidade próxima de 100%, detecta cálculos em qualquer parte do trato urinário — inclusive os menores e os que estão nos ureteres. É o exame preferido na crise de cólica renal, especialmente quando há dúvida diagnóstica, falha no controle da dor ou suspeita de complicações. A dose de radiação é controlada, e na crise aguda o benefício diagnóstico supera amplamente esse aspecto. O protocolo sem contraste endovenoso para cálculos torna o exame ainda mais simples e rápido.
Como se preparar?
Para o ultrassom de vias urinárias:
- Jejum de 4 a 6 horas para melhor visualização dos rins
- Bexiga moderadamente cheia: beba 2 copos de água 30 a 40 minutos antes do exame
- Leve exames anteriores e o pedido médico
- Informe ao médico sobre cirurgias anteriores nos rins ou na bexiga
Para a tomografia de abdome e pelve:
- Jejum de 4 horas se houver possibilidade de uso de contraste
- Para o protocolo sem contraste específico para cálculos, geralmente não há jejum obrigatório — confirme no agendamento
- Traga exames anteriores e informe alergias e medicamentos em uso
- Informe se há suspeita de gravidez ou uso de metformina
Como é feito?
O ultrassom é realizado com o paciente deitado. O médico desliza o transdutor com gel sobre o abdome e os flancos, avaliando cada rim, os ureteres (na medida do possível) e a bexiga. O exame dura cerca de 20 a 25 minutos e não causa nenhum desconforto.
A tomografia leva poucos segundos de aquisição efetiva. O paciente deita na maca e passa pelo anel do tomógrafo; em alguns momentos é pedido para prender a respiração por alguns segundos. O resultado é uma série de imagens em cortes finos que mostram qualquer cálculo, com seu tamanho exato, localização precisa e grau de obstrução.
O que fazer depois do diagnóstico?
Com o laudo em mãos, o urologista decide o tratamento adequado. Cálculos menores (geralmente abaixo de 5 a 6 mm) têm grande chance de saída espontânea com hidratação intensa, analgésicos e acompanhamento clínico. Cálculos maiores ou que causam obstrução persistente podem precisar de litotripsia extracorpórea (ondas de choque que fragmentam a pedra sem cirurgia), ureteroscopia ou cirurgia percutânea. A maioria dos pacientes se trata sem procedimento invasivo, especialmente quando o diagnóstico é feito cedo.
Após o tratamento, o acompanhamento periódico com ultrassom é importante para verificar a eliminação do cálculo, detectar novos cálculos em formação e confirmar que os rins permanecem sem sinais de dano.
Na Uno Diagnóstico, em Maracanaú, realizamos ultrassonografia de vias urinárias e tomografia computadorizada de abdome e pelve com laudos assinados por radiologistas com título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Atendemos diversos convênios e particular, com agendamento facilitado de segunda a domingo, das 7h às 22h.
Se você está com cólica, sangue na urina ou já sabe que tem pedra no rim e precisa de acompanhamento, não adie. Agende seu exame pelo WhatsApp e chegue à consulta com o diagnóstico em mãos — porque quanto antes você souber o tamanho e a localização do cálculo, mais rápido e simples será o seu tratamento.