Dor pélvica que piora na menstruação. Ciclos irregulares ou sangramento fora de hora. Dificuldade para engravidar sem causa aparente. Sensação de peso na barriga baixa. Cada um desses sinais pode ter uma causa completamente diferente — e o ultrassom pélvico ou transvaginal é o ponto de partida para o diagnóstico da maioria delas. Seguro, sem radiação e com excelente capacidade de mostrar o útero e os ovários em detalhes, esse exame é uma das ferramentas mais solicitadas na ginecologia e na obstetrícia.
O que é o ultrassom pélvico?
O ultrassom pélvico é um exame que usa ondas sonoras de alta frequência para gerar imagens das estruturas da pelve feminina: útero, ovários, trompas e bexiga. Existem duas formas principais de realizá-lo:
Ultrassom pélvico transabdominal: o transdutor é deslizado sobre a parte inferior da barriga, por cima da pele. Exige bexiga cheia para que a urina sirva de "janela acústica" e melhore a visualização das estruturas pélvicas. É a modalidade usada em gestantes e em situações em que a via transvaginal não é indicada.
Ultrassom transvaginal (endovaginal): uma sonda de pequeno calibre é introduzida delicadamente dentro da vagina, aproximando-se muito mais do útero e dos ovários do que seria possível pela parede abdominal. Por isso, oferece imagens com muito mais detalhes — especialmente de nódulos pequenos, espessura do endométrio, ovários e ovários policísticos. Não exige bexiga cheia e é o método preferido na maioria das investigações ginecológicas em mulheres sexualmente ativas.
Nas duas modalidades, o exame é indolor (ou levemente desconfortável na versão transvaginal), sem radiação e realizado em tempo real.
O que o exame pode detectar?
O ultrassom pélvico/transvaginal é indicado para investigar e acompanhar diversas condições:
Miomas uterinos (leiomiomas)
Os miomas são tumores benignos que crescem dentro ou ao redor do útero. São muito comuns: estima-se que até 70% das mulheres terão algum mioma ao longo da vida. A maioria não causa sintomas, mas alguns podem provocar sangramento intenso, dor pélvica, pressão na bexiga ou intestino e dificuldade para engravidar — dependendo do tamanho e da localização. O ultrassom identifica com precisão quantos miomas existem, onde estão (submucosos, intramurais ou subserosos) e o tamanho de cada um, informações fundamentais para decidir se há necessidade de tratamento e qual o mais adequado.
Cistos ovarianos
Os cistos nos ovários são extremamente frequentes e, na maioria das vezes, fisiológicos — ou seja, surgem como parte do próprio ciclo menstrual e desaparecem sozinhos em alguns meses. O ultrassom ajuda a diferenciar cistos simples e benignos daqueles com características que merecem investigação mais cuidadosa: paredes espessas, septos internos, componentes sólidos. Essa distinção orienta o ginecologista sobre o acompanhamento adequado, evitando cirurgias desnecessárias e, ao mesmo tempo, não deixando escapar lesões que precisam de atenção.
Endometriose
A endometriose é uma doença inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce fora do útero, causando dor intensa, especialmente na menstruação, relações sexuais dolorosas e infertilidade. O diagnóstico definitivo é cirúrgico, mas o ultrassom — especialmente o transvaginal com preparo intestinal — consegue identificar nódulos de endometriose profunda, endometriomas ovarianos (cistos de "chocolate") e aderências, auxiliando no planejamento do tratamento.
Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
A SOP é um dos distúrbios hormonais mais comuns em mulheres em idade reprodutiva. O ultrassom transvaginal mostra ovários aumentados com múltiplos pequenos folículos distribuídos na periferia — o chamado aspecto "em colar de pérolas" ou "aspecto policístico". Esse achado, associado aos critérios clínicos e laboratoriais, auxilia no diagnóstico da síndrome, que pode causar irregularidade menstrual, excesso de pelos, acne e dificuldade para engravidar.
Avaliação do endométrio
O endométrio é o revestimento interno do útero, que se modifica ao longo do ciclo menstrual. O ultrassom mede com precisão a espessura endometrial — informação importante para investigar sangramento uterino anormal, especialmente em mulheres na pós-menopausa, onde um endométrio espessado pode indicar a necessidade de biópsia para descartar lesões. Também avalia a presença de pólipos endometriais, que muitas vezes causam sangramento intermenstrual ou dificultam a implantação do embrião na fertilização assistida.
Investigação de infertilidade
O ultrassom faz parte da investigação básica do casal infértil. Na mulher, avalia a morfologia do útero (anomalias congênitas, miomas, pólipos, aderências), a reserva ovariana (contagem de folículos antrais) e a permeabilidade das trompas em algumas situações específicas. É também fundamental no acompanhamento de ciclos de indução de ovulação e de fertilização in vitro.
Acompanhamento de DIU e implantes
O ultrassom confirma se o dispositivo intrauterino (DIU) está bem posicionado dentro da cavidade uterina após a inserção e ajuda a identificar deslocamentos que possam comprometer sua eficácia contraceptiva.
Quando o exame é indicado?
O ginecologista pode solicitar o ultrassom pélvico ou transvaginal em diversas situações:
- Dor pélvica crônica ou aguda
- Sangramento uterino anormal (intenso, prolongado, irregular ou na pós-menopausa)
- Menstruação irregular ou ausência de menstruação
- Dificuldade para engravidar
- Suspeita de mioma, cisto, pólipo ou endometriose
- Acompanhamento de lesões já diagnosticadas
- Avaliação pré-operatória ginecológica
- Acompanhamento de ciclos de fertilização
- Verificação do posicionamento do DIU
- Check-up ginecológico anual em algumas situações clínicas
Como se preparar?
O preparo varia conforme a modalidade:
Para o ultrassom transabdominal:
• Bexiga cheia: beba de 4 a 6 copos de água (800 ml a 1 litro) cerca de 1 hora antes do exame e não urine até a realização
• Não é necessário jejum
• Use roupas confortáveis que permitam expor a parte inferior do abdome
Para o ultrassom transvaginal:
• Bexiga vazia ou levemente preenchida (urine antes de chegar à clínica)
• Não é necessário jejum
• Idealmente, o exame é feito entre o 5° e o 10° dia do ciclo menstrual para avaliação do endométrio em sua fase mais fina — mas pode ser feito em qualquer fase, dependendo da indicação
• Informe se está menstruando e se há alguma contraindicação à via transvaginal
Em ambos os casos, leve exames anteriores (ultrassons, laudos de cirurgia, laudos de biópsia) para comparação. Quanto mais informação o radiologista tiver, mais detalhado e útil será o laudo.
Como é feito?
O ultrassom transabdominal é realizado com você deitada de costas, expondo a barriga baixa. O médico aplica gel sobre a pele e desliza o transdutor pela região pélvica. O gel pode estar levemente frio. O exame dura em torno de 15 a 20 minutos.
O ultrassom transvaginal é feito com a paciente em posição ginecológica (deitada de costas com os joelhos dobrados). O médico utiliza uma sonda coberta por preservativo com gel lubrificante, que é introduzida delicadamente dentro da vagina. A profundidade de introdução é mínima e o exame é, em geral, bem tolerado. A maioria das mulheres relata apenas leve desconforto, sem dor. O exame dura cerca de 20 a 25 minutos.
O que acontece depois?
Com o laudo em mãos, o ginecologista interpreta os resultados dentro do seu contexto clínico e, se necessário, solicita exames complementares (como ressonância magnética para detalhamento de endometriose profunda, histeroscopia para investigação da cavidade uterina, ou dosagens hormonais). Muitas condições descobertas no ultrassom têm tratamento eficaz — e quanto antes o diagnóstico, mais opções terapêuticas estarão disponíveis, incluindo abordagens menos invasivas.
Na Uno Diagnóstico, em Maracanaú, realizamos ultrassonografia pélvica transabdominal e transvaginal com equipamento de alta resolução e laudos detalhados, assinados por radiologistas com título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Atendemos diversos convênios e particular, com agendamento facilitado de segunda a domingo, das 7h às 22h.
Se você tem sintomas ginecológicos que merecem investigação ou se seu médico solicitou um ultrassom pélvico, não adie. Agende pelo WhatsApp e venha com a tranquilidade de um atendimento especializado — porque cuidar da sua saúde pélvica é cuidar de você como um todo.