Dor nas articulações após chikungunya em Maracanaú: como o ultrassom investiga a fase crônica

A febre passou, mas as juntas continuam doendo e amanhecem duras? Com o Ceará vivendo a pior epidemia de arboviroses das últimas décadas, entenda como o ultrassom com Doppler e a ressonância mostram o que está inflamado e ajudam a guiar o tratamento.

Dor nas articulações após chikungunya em Maracanaú: como o ultrassom investiga a fase crônica

A febre passou faz tempo. A manchinha vermelha sumiu, o mal-estar foi embora — mas os punhos, os tornozelos e os dedos continuam doendo. De manhã, as mãos amanhecem duras e demoram a "destravar". Subir escada virou sacrifício, e calçar um sapato fechado, um problema. Se essa é a sua rotina depois de ter tido chikungunya, saiba que você não está exagerando nem "inventando dor": a persistência das dores articulares é a marca registrada dessa doença, e ela pode ser vista e documentada por exames de imagem.

O tema é especialmente urgente por aqui. O Ceará atravessa em 2026 o pior cenário de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti desde o final dos anos 1980, com aumento expressivo de casos confirmados ao longo do ano e vários municípios da região metropolitana em alerta. Quem passou pela fase aguda da chikungunya nos últimos meses é justamente o público que agora começa a bater na porta do consultório com queixa de dor nas juntas que não cede.

O que acontece com as articulações depois da chikungunya?

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes. A fase aguda dura em média de 7 a 14 dias, com febre alta, dor de cabeça, manchas na pele e — o sintoma mais característico — dor intensa nas articulações, muitas vezes com inchaço. O nome da doença vem de uma palavra africana que descreve a postura curvada de quem sente essa dor.

O problema é que, para uma parcela grande dos pacientes, a história não termina aí. Existe uma fase subaguda, que pode se estender por até três meses, e uma fase crônica, quando a dor articular persiste além disso. Os estudos brasileiros mostram uma variação grande, mas apontam que uma parcela expressiva das pessoas infectadas segue com queixas articulares meses ou até anos depois. O risco de cronificar é maior em mulheres, em pessoas acima dos 40 anos e em quem teve envolvimento articular importante na fase aguda, com inchaço, rigidez matinal e comprometimento de várias articulações ao mesmo tempo.

O que a inflamação faz é atingir a membrana sinovial (o revestimento interno da articulação) e as bainhas que envolvem os tendões. Daí vêm o derrame articular, a tenossinovite, as bursites e a sensação de que a junta está "cheia" e travada.

Quando o exame de imagem é indicado?

O diagnóstico da chikungunya é clínico e laboratorial — a imagem não serve para dizer se você teve ou não o vírus. O papel dela é outro, e muito importante: mostrar o que está inflamado agora, medir a extensão do problema e ajudar o médico a diferenciar a sequela da chikungunya de outras doenças reumatológicas que podem se manifestar de forma parecida, como a artrite reumatoide. Vale investigar com imagem quando há:

  • Dor articular que persiste por mais de 4 a 6 semanas depois da fase aguda
  • Rigidez matinal prolongada, com dificuldade para movimentar as mãos ao acordar
  • Inchaço visível em punhos, tornozelos, joelhos, dedos das mãos ou dos pés
  • Dor no calcanhar e no tendão de Aquiles, muito frequente após a chikungunya
  • Dificuldade para caminhar, pegar objetos ou realizar tarefas do dia a dia
  • Suspeita de que outra doença reumatológica tenha sido desencadeada ou esteja associada
  • Necessidade de acompanhar a resposta ao tratamento indicado pelo reumatologista ou ortopedista

O que o ultrassom com Doppler consegue mostrar?

O ultrassom musculoesquelético é o exame de primeira linha nesses casos: é rápido, indolor, não usa radiação, avalia várias articulações na mesma sessão e permite comparar os dois lados do corpo. Com o Doppler colorido, o radiologista ainda enxerga o aumento de circulação nos tecidos inflamados — um sinal direto de atividade da inflamação. Séries brasileiras publicadas na literatura de radiologia descrevem, entre os achados mais comuns em pacientes com chikungunya, o derrame articular, a tenossinovite, o espessamento de partes moles, as bursites e a hipervascularização ao Doppler.

Na prática, o exame ajuda a:

  • Confirmar a presença de líquido dentro da articulação (derrame articular)
  • Identificar tenossinovite, ou seja, o espessamento e a distensão da bainha que envolve o tendão
  • Detectar bursites, especialmente na região do calcanhar e do ombro
  • Mostrar, pelo Doppler, se a inflamação está ativa naquele momento
  • Flagrar lesões dos tendões, incluindo rupturas parciais
  • Acompanhar a evolução ao longo do tratamento, repetindo o exame sem risco

Quando a ressonância magnética entra?

A ressonância é reservada para os casos em que o ultrassom não esclarece a dúvida ou quando é preciso avaliar o interior da articulação com mais profundidade — cartilagem, ligamentos, medula óssea e sinais de erosão. Ela também é útil em articulações de difícil acesso pelo ultrassom, como o quadril e a coluna, e no diagnóstico diferencial com doenças inflamatórias crônicas. Assim como o ultrassom, não usa radiação. Quem escolhe entre um e outro é o médico que acompanha o seu caso, de acordo com a suspeita clínica.

Como se preparar?

O preparo é bem simples nos dois exames:

  • Ultrassom articular: não exige jejum nem preparo especial. Use roupas confortáveis, que permitam expor com facilidade a articulação a ser examinada
  • Ressonância: em geral também não precisa de jejum. Retire relógio, brincos, colar, piercings e grampos de cabelo, e informe a equipe sobre marca-passo, próteses, implantes metálicos, clipes cirúrgicos ou suspeita de gravidez
  • Leve sempre o pedido médico e exames anteriores da mesma articulação, para comparação
  • Vale anotar antes quais articulações doem mais e há quanto tempo: essa informação orienta o radiologista durante o exame

Como é feito?

No ultrassom articular você fica sentado ou deitado, conforme a região examinada. O radiologista aplica um gel na pele e desliza o transdutor sobre a articulação, muitas vezes pedindo que você movimente a mão, o pé ou o joelho — é o chamado exame dinâmico, que flagra alterações que só aparecem em movimento. Costuma durar de 15 a 30 minutos, dependendo de quantas articulações serão avaliadas, e não dói. Na ressonância, você deita em uma maca que desliza para dentro do aparelho, que emite ruídos durante o funcionamento (usamos protetores auriculares), e é preciso ficar imóvel por 20 a 40 minutos. Em ambos, as imagens são analisadas e o laudo é emitido por um radiologista.

Um ponto importante: o exame de imagem não substitui a consulta. Ele entrega ao seu médico um retrato objetivo da inflamação, e é ele, conhecendo a sua história, quem define o tratamento — que pode envolver medicação, fisioterapia e acompanhamento com reumatologista. E vale lembrar do básico: a melhor forma de não passar por isso é não deixar o mosquito nascer. Eliminar água parada em casa e no quintal continua sendo a medida mais eficaz contra a chikungunya, a dengue e a zika.

Na Uno Diagnóstico, em Maracanaú, realizamos ultrassonografia musculoesquelética com Doppler colorido e ressonância magnética articular com equipamento moderno, imagens de alta resolução e laudos assinados por radiologistas com título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Atendemos diversos convênios e particular, com agendamento facilitado de segunda a domingo, das 7h às 22h.

Se você teve chikungunya e as juntas continuam doendo, não trate isso como algo que "vai passar sozinho com o tempo". Quanto antes a inflamação é documentada e tratada, menores as chances de a dor se instalar de vez. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp e agende o seu exame na Uno Diagnóstico — voltar a usar as mãos e caminhar sem dor faz toda a diferença no seu dia.

Conteúdo revisado pela equipe médica da Uno Diagnóstico. Direção Técnica: Dr. Leonardo Alcântara, CRM 10914/RQE 7848.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Somente o seu médico pode indicar o exame adequado ao seu caso.

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