Sua pressão está sempre um pouco alta no consultório? Você toma medicação há anos mas nunca investigou se ela já causou algum estrago silencioso? Tem familiares que tiveram AVC ou infarto cedo demais? Se respondeu sim a qualquer uma dessas perguntas, este texto é para você. Em 17 de maio o mundo celebra o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, uma data criada pela World Hypertension League para chamar atenção para uma doença que atinge cerca de 1 em cada 3 adultos brasileiros e que, apesar de extremamente comum, ainda é mal controlada na maior parte das pessoas que a têm.
A campanha global de 2026 segue com o tema "Meça com precisão, controle bem, viva mais", reforçando que medir a pressão corretamente, manter o tratamento e investigar os danos silenciosos é a melhor forma de evitar desfechos graves. E é aí que entram os exames de diagnóstico por imagem — eles são os olhos que enxergam o que a pressão alta já fez (ou ainda não fez) nos seus órgãos.
Por que a hipertensão é tão perigosa?
A hipertensão arterial sistêmica é, na maior parte dos casos, uma doença sem sintomas durante anos. A pressão aumentada vai, lentamente, lesando as paredes das artérias e sobrecarregando o coração. Quando os primeiros sintomas aparecem — falta de ar aos esforços, AVC, infarto, perda da função renal —, o problema já não é mais a pressão em si, mas o que ela causou em outros órgãos. Por isso a medicina chama esses órgãos de "órgãos-alvo": coração, cérebro, rins, vasos e retina.
O controle adequado da pressão reduz em até 35% a 40% o risco de AVC e em torno de 25% o risco de infarto do miocárdio, segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Por isso, junto com a medida regular da pressão e exames laboratoriais, os exames de imagem têm papel central no acompanhamento.
Quais exames de imagem ajudam na avaliação do paciente hipertenso?
A escolha depende do tempo de diagnóstico, idade, fatores de risco e suspeita clínica. Os principais são:
- Ultrassonografia com Doppler de carótidas e vertebrais — avalia a espessura da parede arterial (medida do complexo médio-intimal) e identifica placas de ateroma que aumentam o risco de AVC. É indolor, sem radiação e leva cerca de 20 minutos.
- Ultrassonografia abdominal com Doppler renal — investiga o tamanho e a textura dos rins, possíveis cicatrizes de hipertensão crônica e a presença de estenose (estreitamento) das artérias renais, uma causa potencialmente curável de hipertensão secundária, especialmente em pacientes jovens ou com pressão de difícil controle.
- Ultrassonografia da aorta abdominal — rastreia aneurismas, mais frequentes em homens acima de 65 anos com histórico de hipertensão e tabagismo. É um exame simples, sem preparo complexo, e que pode salvar a vida ao detectar uma dilatação antes que ela rompa.
- Radiografia de tórax — embora simples, ainda é útil para avaliar a silhueta cardíaca (aumento do coração), sinais de congestão pulmonar e calcificações da aorta torácica.
- Tomografia computadorizada — solicitada em situações específicas: investigação de AVC agudo, suspeita de aneurisma ou dissecção de aorta, avaliação de glândulas suprarrenais quando há suspeita de hipertensão secundária por feocromocitoma ou hiperaldosteronismo, e estudo das artérias coronárias com angiotomografia em casos selecionados.
- Ressonância magnética — usada quando se quer avaliar com maior detalhe lesões cerebrais relacionadas à hipertensão crônica (pequenos infartos silenciosos, leucoaraiose) ou quando há suspeita de doença da aorta.
Quando o cardiologista costuma pedir esses exames?
Não existe uma receita única, mas algumas situações são clássicas:
- No primeiro diagnóstico de hipertensão, para um estágio inicial dos órgãos-alvo
- Em pacientes com mais de 60 anos, mesmo sem queixas, para rastrear placas em carótidas e aneurisma de aorta
- Quando a pressão é de difícil controle, mesmo com três ou mais medicamentos
- Em hipertensão de início precoce (antes dos 30 anos) ou de início súbito após os 55 anos — sempre suspeitar de causa secundária
- Após eventos cardiovasculares (AVC, infarto, angina instável)
- Em diabéticos hipertensos, para acompanhamento da função renal
- Em pacientes com história familiar forte de aneurisma de aorta
E qual é o preparo?
Varia conforme o exame:
- Doppler de carótidas: nenhum preparo necessário
- Doppler renal e ultrassonografia abdominal: jejum de 6 a 8 horas para reduzir gases que atrapalham a visualização
- Radiografia de tórax: sem preparo, basta retirar adornos metálicos do tórax
- Tomografia com contraste: jejum de 4 a 6 horas, creatinina recente e informar alergias e uso de medicações
- Ressonância magnética: informar sobre marca-passos, próteses metálicas e claustrofobia
Leve sempre o pedido médico com a indicação clínica e seus exames anteriores para comparação — isso ajuda muito o radiologista a perceber pequenas mudanças ao longo do tempo.
O que você pode fazer hoje?
Independente de exame, três atitudes mudam o jogo: medir a pressão regularmente (em casa, com aparelho calibrado, em diferentes momentos do dia), manter o tratamento e os hábitos saudáveis (atividade física, redução de sal, sono adequado, controle do peso e do estresse) e fazer o acompanhamento médico, mesmo quando se sente bem. Hipertensão controlada é vida longa e com qualidade.
Na Uno Diagnóstico, em Maracanaú, realizamos ultrassonografia com Doppler colorido de carótidas, renal e aorta abdominal, radiografia digital de tórax e tomografia computadorizada multislice, com laudos assinados por radiologistas com título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Atendemos diversos convênios e particular, com agendamento facilitado de segunda a domingo, das 7h às 22h.
Neste Dia Mundial da Hipertensão, dê o próximo passo no cuidado com sua saúde. Se seu médico solicitou algum dos exames acima, agende pelo WhatsApp e descubra como a imagem pode trabalhar a favor dos seus órgãos — antes que a pressão alta deixe de ser silenciosa.